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  • Foto do escritorMaria Júlia Braz

Terapia sem diagnóstico

Atualizado: 11 de nov. de 2023


terapia sem diagnóstico

Imaginem comigo que uma moça chamada Joana procura terapia.


Ela se queixa de um sentimento crescente de apatia perante a vida. Joana tem uma sensação constante de perda de ânimo, lembra com saudades de quando saía todo fim de semana, algo que hoje pareceria impossível. Ela não sabe muito bem ao que atribuir essa mudança, e busca a terapia justamente para tentar investigar o que se passa com ela, e, com sorte, retomar a alegria de viver.



 

1- A SUBJETIVIDADE DOS DIAGNÓSTICOS


De acordo com o que aparecer nos relatos de Joana durante as sessões, e com a visão do próprio terapeuta que vier a atendê-la, Joana pode ter sua condição enquadrada em vários diagnósticos psiquiátricos.


Se Joana for atendida por dez terapeutas diferentes, provavelmente sairá de seus consultórios com dez diagnósticos diferentes.


Isso porque o processo de diagnóstico em saúde mental é sempre subjetivo. A maior parte de nós, no entanto, não compreende exatamente o que isso significa, e é aí que mora o perigo.



2- A ARMADILHA DO PENSAMENTO


Nós tendemos a olhar para um diagnóstico como se ele fosse uma ‘coisa’. Como se a ‘coisa’ depressão, ou a ‘coisa’ ansiedade nos acometesse, tal qual uma doença de ordem física ataca um organismo biológico.


Mas, em saúde mental, esse raciocínio pode ser deletério.


Se dissermos à Joana que ela tem depressão, ela compreenderá instintivamente que seu psiquismo está sendo atacado por um agente externo, como um patógeno do qual ela deve se livrar, às custas de muita terapia e, quem sabe, remédios.


Quando, na verdade, o sofrimento de Joana é com seu próprio ser, não com algo que vem de fora e que pode ser extirpado.



3- A NECESSIDADE DE REINVENÇÃO


Joana precisa repensar sua rotina, agora que a maneira de viver do passado parece ter deixado de fazer sentido.


Seu caso pode até ser enquadrado em algum diagnóstico, mas dizer a ela “você tem isto” conduz o diálogo terapêutico a um ataque coordenado a este “isto”, esquecendo que a verdadeira questão em suas mãos é a necessidade de reinventar o prazer em sua vida.



4- O ESTIGMA ASSOCIADO AOS DIAGNÓSTICOS

Fora isso, os diagnósticos carregam sempre um estigma. Dizer a ela que, por exemplo, “tem depressão”, invariavelmente a deixará assustada cada vez que sentir tristeza. Joana poderá apresentar uma certa aversão a sentimentos normais, que passará a entender como manifestações de sua doença.


Dizer que sofremos de algo parece ser reconfortante, pois cria-se um alvo impessoal a ser atacado. Mas a verdade é que, quando falamos de saúde mental, sempre sofremos com algo, algo intrinsecamente indistinguível de nós mesmos.


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Maria Júlia Braz - Psicoterapeuta (11) 99317-7217 | mariajuliabrazcontato@gmail.com

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