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Epidemia de diagnósticos: a dificuldade de lidar com a condição humana


Epidemia de diagnósticos: a dificuldade de lidar com a condição humana


Prosseguindo com o tópico anterior, gostaria de salientar outro desafio relacionado à epidemia de diagnósticos de saúde mental que vivemos hoje: a tendência a patologizar experiências intrinsecamente humanas.



1- REDEFININDO O NORMAL E O PATOLÓGICO


Para começar, precisamos ressaltar um aspecto fundamental de todos os diagnósticos, sejam eles relacionados à saúde mental ou não:


Todo e qualquer diagnóstico parte de uma operação muito simples, de separação entre o que é considerado normal daquilo que foge à norma, e é classificado como patológico (doença).


Assim, para estabelecermos que um conjunto de sintomas constitui uma doença mental, é necessário, antes de tudo, determinarmos o que é considerado normal e saudável.


Nesse contexto, surge a questão: o que significa dizer que hoje vivemos uma ‘epidemia de diagnósticos’?


2- A TENDÊNCIA DE PATOLOGIZAR EXPERIÊNCIAS HUMANAS


Quando utilizo essa expressão, estou me referindo a um fenômeno observado nos últimos anos, em que comportamentos antes considerados normais, passaram a ser rotulados como patológicos.


O escopo do que é considerado normal diminuiu significativamente, e arrisco dizer que, em alguns casos, desapareceu por completo.


Hoje, uma série de traços de personalidade e de comportamentos que antes seriam creditados às diferenças humanas esperadas, passaram a ser considerados expressões de doenças subjacentes.

Adultos e crianças são igualmente afetados por essa maneira de operar os diagnósticos. A partir deles, passam a lidar consigo mesmos como portadores de uma doença que os separa daqueles considerados normais, tornando-os incapazes de se conectar com a experiência alheia.


E por que isso está acontecendo?



3- A INFLUÊNCIA DA TECNOLOGIA E O APELO NARCÍSICO DOS DIAGNÓSTICOS


Uma das explicações, sem dúvida, é o avanço da tecnologia, que tem contribuído para o distanciamento nas interações humanas. Nos conectando através de telas, podemos não perceber o quão comuns são as experiências emocionais que vivenciamos.


Pensamos ser os únicos a sentir aquilo que estamos sentindo, quando, na maioria das vezes, nossos incômodos podem ser verdadeiramente compreendidos por grande parte das pessoas.


Outro aspecto a se considerar, é que receber um diagnóstico pode, de fato, ter um apelo narcísico. Pode representar uma maneira de uma pessoa se eximir da responsabilidade por determinados comportamentos, transferindo suas falhas pessoais para a condição de doença, ao invés de reconhecer a própria responsabilidade pelas ações cometidas por ela mesma.


A condição humana é difícil. É trágica, e é universal. Todos padecemos dela.


No limite, não existem os doentes e os saudáveis, existem aqueles que estão precisando de um apoio, de uma mudança, e, para isso, aí estão os terapeutas, o aparato médico.

Mas nunca é fácil ser gente. Que não nos enganemos.


Deseja saber mais, tirar dúvidas ou agendar sua consulta? Entre em contato nos links abaixo:

Maria Júlia Braz - Psicoterapeuta (11) 99317-7217  | mariajuliabrazcontato@gmail.com

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